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21 de jul de 2012

ANIMISMO

Como saber se a ideia é do médium ou do Espírito?
O médium deve ser nulo?
Qual a colaboração do médium nas comunicações?
  
Muita confusão este conceito tem causado entre os médiuns. O receio de estar mistificando as comunicações, misturando suas ideias com as do Espírito tem perturbado os médiuns, especialmente os iniciantes.
Por isso, o médium precisa estudar para compreender melhor este assunto e desempenhar seu papel da melhor forma, entendendo que mistificação e animismo são conceitos diferentes.
Hoje vamos abordar somente o animismo.

Vejamos:

Animismo se origina do latim anima = alma +ismo = estudo, significa o estudo da alma.
À luz da Doutrina Espírita, animismo significa a manifestação da alma do médium, que  pode comunicar-se, assim como qualquer Espírito desencarnado, pois, em potencial, conserva seus atributos de desencarnado.
André Luiz conceitua animismo como o conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente ou inconsciente dos médiuns em ação.
A possibilidade do animismo criou entre os opositores da Doutrina Espírita um ceticismo quanto à veracidade das comunicações espíritas, atribuindo todas a manifestações anímicas.
Ernesto Bozzano, em sua obra intitulada “Animismo ou Espiritismo” comprova que, ao contrário do pensamento de tais céticos o animismo prova o Espiritismo, pois as manifestações anímicas demonstram que a alma pode se manifestar afastada do corpo físico, ou seja, sobrevive ao corpo  e pode manifestar-se, tanto encarnada quanto desencarnada. Esclarece também que quando o Espírito comunicante  está encarnado determina os fenômenos anímicos e quando desencarnado determina os fenômenos espíritas.

Alguns exemplos de expressão do Animismo:

Fenômenos de emancipação da alma

A alma pode emancipar-se quando os laços entre o corpo físico e o Espírito estão mais relaxados. O corpo espiritual pode  desdobrar-se e atuar com os seus recursos e implementos característicos, como ser  pensante, fora do corpo físico.
Basta que os sentidos entrem em torpor para que o Espírito recobre a sua liberdade, pois desde que haja prostração das  forças vitais, o Espírito se desprende, tornando-se tanto mais livre, quanto mais fraco for o corpo. Este estado proporciona as atividades da alma, enquanto desdobrada do corpo físico, por exemplo, pelo sono comum e também estão incluídos os sonhos, telepatia, letargia, catalepsia, sonambulismo, êxtase, entre outros.

Emersão do Passado

Esta situação ocorre quando o Espírito retorna às impressões do passado, basicamente por duas situações:

A aproximação de um desafeto

O Espírito André Luiz, em sua obra intitulada “Nos Domínios da Mediunidade”, relata o caso de uma  médium. Esta, embora apresentasse as usuais características de uma manifestação mediúnica de um Espírito obsessor, estava apenas deixando emergir do seu próprio inconsciente memórias desagradáveis de uma existência anterior, cujos passados conflitos ainda a atormentavam e se exteriorizavam como se  estivesse intermediando  um Espírito desarmonizado. Esta reação se desencadeou pela aproximação de um desafeto. Ela estava ali atuando como médium de si mesma, produzindo uma manifestação anímica.
Um dos amigos espirituais presentes não identificou a presença da entidade espiritual da qual a médium estava intermediando a comunicação. O orientador espiritual esclareceu tratar-se de uma manifestação anímica em função de situação mal resolvida do passado, tendo sido desencadeada, pela presença no recinto da entidade espiritual ligada a médium.
A médium precisava se reequilibrar, por isso deveria ser tratada com amor e respeito, recebendo o mesmo tratamento dispensado a um Espírito desencarnado, em perturbação espiritual. Neste momento, o Espírito médium necessita de muita ternura e tato fraterno, como sugere o instrutor espiritual. Por isso, os dirigentes espíritas não devem condenar  o médium, ante a  suspeita de estar produzindo fenômeno anímico e não espírita e sim atuar de forma cristã. Assim sendo, fatos anímicos são aqueles em que o médium, sem nenhuma idéia preconcebida de mistificação, recolhe impressões do pretérito e as transmite, como se por ele um Espírito estivesse comunicando.
Fatos espíritas ou mediúnicos são aqueles em que o médium é, apenas, um intermediário a receber e transmitir as idéias dos Espíritos desencarnados.
O estudo e a observação ajudam-nos a fazer tal distinção.

Retorno a momentos difíceis vivenciados em encarnações anteriores.

Normalmente o fator causador do animismo nestes casos  é a fixação mental, ou seja, nosso direcionamento a pessoas, fatos, objetos ou situações nos quais fixamos nosso pensamento de forma obsessiva, que pode perdurar por várias reencarnações, gerando desequilíbrios que precisam de tratamento.
Em certos momentos, situações do passado que geralmente ocorreram nesta mesma época na reencarnação anterior, emergem na mente do Espírito encarnado como uma recaída a momentos de desequilíbrio ( loucura, suicídio, criminalidade, etc.) que podem se realizar novamente, se este não estiver reformado intimamente, pautado em alicerces morais.
O rompimento desta sintonia com situações passadas ocorre através da alteração da onda mental, que desencadeie uma mudança de comportamento.
Lembremos também que, a cristalização da nossa mente, hoje, em determinadas situações, pode motivar, no futuro, a manifestação de fenômenos anímicos, do mesmo modo que tal cristalização ou fixação, se realizada no passado, se exterioriza no presente. Daí a importância da prática da  reforma íntima como agente preventivo de desequilíbrios e sofrimentos futuros.

Contribuição do médium nas comunicações espirituais

Os médiuns têm grande preocupação em garantir a fidelidade das comunicações, sem misturar a estas suas idéias. Tal preocupação é um dos maiores entraves no desenvolvimento da mediunidade, pois leva este médium a duvidar das próprias comunicações, sem saber como distinguir se são anímicas ou espíritas.
O animismo, principalmente  em médiuns principiantes, é natural e até esperado, em face da pouca experiência dos mesmos com a prática mediúnica. O  estudo aliado à continuidade do trabalho fará com que o iniciante adquira mais segurança e controle de sua mediunidade, solucionando este obstáculo.
No Livro dos Médiuns, os Espíritos esclarecem, com veemência, que o médium deve ser passivo para não influenciar as idéias ditadas pelos Espíritos comunicantes, mas nunca é totalmente nulo. Para que possamos distinguir se a comunicação é do médium ou do Espírito, devemos observar a natureza das comunicações, estudando as circunstâncias  e a linguagem utilizada. Desta forma, o médium tem condições de identificar os pensamentos que não procedem de sua mente.
“Continue, portanto, e, com a experiência, a dúvida se dissipará”- (item 214 – Cap.XVII – Livro dos Médiuns).
Quando falamos ao telefone, por melhor que seja a aparelhagem utilizada, nossa voz sofre inevitável influência do equipamento.
O Espírito comunicante preocupa-se com o conteúdo,  o fundo da mensagem, não com a forma. A linguagem é a do pensamento, compete aos médiuns colocar forma a este  pensamento, “vesti-los “, o médium codifica a mensagem em palavras, o que não quer dizer que tenha modificado a mensagem do Espírito.
Segundo André Luiz, em sua obra intitulada “Nos Domínios da Mediunidade”, no capítulo sobre “Assimilação de Correntes Mentais” o médium transmite a mensagem do mentor espiritual imprimindo-lhe diminutas variações.
Um bom exemplo será comparar o Espírito a um compositor e o médium a um instrumento que transmite a melodia composta. A comunicação de um mesmo Espírito transmitida por médiuns diferentes chega com o mesmo conteúdo, mas recebe o estilo do médium, como a mesma composição pode ser transmitida por instrumentos diferentes: piano, violão, flauta, produzir sons diferentes, sem deixar de ser a mesma composição.


Quanto mais evoluído o médium, mais rápida e precisa a comunicação, pois o Espírito encontrando bagagem espiritual na mente do médium consegue agilizar a transmissão de sua mensagem.
O bom médium, portanto, é aquele que transmite tão fielmente quanto possível o pensamento do Espírito comunicante, interferindo o mínimo que possa na transmissão do pensamento do mesmo, o que é desenvolvido através da experiência da prática mediúnica, associado à prática da reforma íntima, para ser sempre assistido pelos Bons Espíritos da Seara de Jesus!

Muita luzzzzzzzzz


Luciane Ruis

6 comentários:

  1. Anônimo13:18

    Caros, muito esclarecedor o texto acima. Penso que muito sfrimento pode ser evitado com conhecimento dos conceitos acima. Para mim esta questão da fixação, de pensamentos obsessivos faz muito sentido.Grata pelos esclarecimentos.

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  2. Nós que agradecemos sua amorosa participação, irmã querida!
    Realmente, quanto mais conhecimentos sobre mediunidade menos sofrimento, muitas vezes até desnecessário...
    Vamos preparar em breve matéria sobre a fixação mental, aguarde e continue nos acompanhando e apoiando.
    Muita paz!

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  3. Luciane Ruiz! Tantas são as oportunidades e os meios de comunicação atualmente para Divulgação da Doutrina Espírita que não poderia me faltar em enaltecer o trabalho de vocês.

    No trecho do Livro "Animismo e Espiritismo" de Ernesto Bozzano nada mais consistente do que sua observação. É o que realmente acontece nas comunicações animicas. Transcrevo aboaixo:

    Ernesto Bozzano, em sua obra intitulada “Animismo ou Espiritismo” comprova que, ao contrário do pensamento de tais céticos o animismo prova o Espiritismo, pois as manifestações anímicas demonstram que a alma pode se manifestar afastada do corpo físico, ou seja, sobrevive ao corpo e pode manifestar-se, tanto encarnada quanto desencarnada. Esclarece também que quando o Espírito comunicante está encarnado determina os fenômenos anímicos e quando desencarnado determina os fenômenos espíritas.

    Acontece porém que a desinformação ainda está muito presente nos meios de divulgação da Doutrina Espírita. (Não é o caso de vocês)

    Um aspecto relevante no que entendo que falta é esclarecer:
    Quanto as comunicações animicas (que provém do próprio Espírito encarnado ou não)avaliar seu conteudo. Aí o cerne da questão. Não está em jogo o fenomeno em si mas o seu conteudo. Tudo está enraizado na evolução do Espírito que dá a comunicação. Intelectual e moral.
    Daí o ceticismo que por vezes é considerado. O fenomeno em si não é desconsiderado mas o conteudo.
    "Todos nós estamos no mesmo patamar, alguns mais adiante."

    Continuem nesse trabalho, dignifica e fortalece aquilo que acreditamos.
    Paz! Muita Paz.
    Louren Junior
    lourenjunior@ig.com.br
    www.lourenjunior.webnode.com.br

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  4. Querido Louren,
    Agradecemos muito seu carinho e apoio ao nosso trabalho e suas prestimosas e valiosas observações no comentário!
    Realmente temos que usar a fé raciocinada para avaliar a qualidade das mensagens. Independente da fonte, o que importa é o conteúdo. Abordamos um pouco desse assunto no artigo sobre Mistificação Mediúnica.
    A finalidade das mensagens mediúnicas sempre deve ser útil, com um ensinamento moral que ajude na transformação da humanidade, como é a própria finalidade da Mediunidade.
    Muita luzzzzzzzz

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  5. Anônimo18:12

    Muito bem explicado, de forma simples e objetiva!
    Therezinha

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    Respostas
    1. Agradecemos a participação irmã querida!
      Que bom que gostou.
      Deus contigo sempre.

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O objetivo do blog é apresentar a mediunidade à luz da Doutrina Espírita.
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