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26 de jul de 2012

FALÊNCIA MEDIÚNICA

Até quando vamos justificar nossas falhas?
Quanto tempo  mais teremos para agir?
Seremos médiuns falidos também?


 O livro “Os Mensageiros” do Espírito André Luiz através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos conta várias situações de médiuns que faliram em suas missões.  Cada um tem a sua justificativa pela falência da missão,
Convidamos aos médiuns a lerem, meditarem e refletirem sobre estas situações, aproveitando as experiências deles, para tentar evitar repeti-las. Não vamos findar nossa reencarnação com o mesmo sentimento de frustração que vamos observar na fala de cada um deles.
Só depende de cada um, todos fomos previamente preparados para  a tarefa mediúnica e os Benfeitores Espirituais nunca nos abandonam.

Façamos nossa parte!!!


Capítulo 9 
Ouvindo impressões

Deixando Acelino em conversação mais íntima com Otávio, fui levado por Vicente a outro ângulo da sala.
Muitos grupos se mantinham em palestra interessante e educativa, observando eu que quase todos comentavam as derrotas sofridas na Terra.
– Fiz quanto pude – exclamava uma velhinha simpática para duas companheiras que a escutavam atentamente –; no entanto, os laços de família são muito fortes. Algo se fazia ouvir sempre, com voz muito alta, em meu espírito, compelindo-me ao desempenho da tarefa; mas... e o marido? Amâncio nunca se conformou. Se os enfermos me procuravam no receituário comum, agravava-se-lhe a neurastenia; se os companheiros de doutrina me convidavam aos estudos evangélicos, revoltava-se, ciumento. Que pensam vocês? Chegava a mobilizar minhas filhas contra mim. Como seria possível, em tais circunstâncias, atender a obrigações mediúnicas?
– Todavia – ponderou uma das senhoras que parecia mais segura de si –, sempre temos recursos e pretextos para fugir às culpas. Encaremos nossos problemas com realismo. Há de convir  que, com o socorro da boa vontade, sempre lhe ficariam alguns minutos na semana e algumas pequenas oportunidades para fazer o bem. Talvez pudesse conquistar o entendimento do esposo e a  colaboração afetuosa das filhas, se trabalhasse em silêncio, mostrando sincera disposição para o sacrifício. Nossos atos, Mariana, são muito mais contagiosos que as nossas palavras.
– Sim – respondeu a interlocutora, emitindo voz diferente –, concordo com a observação. Em verdade, nunca pude sofrer a incompreensão dos meus, sem reclamar.

– Para trabalharmos com eficiência – tornou a companheira, sensata –, é preciso saber calar, antes de tudo. Teríamos atendido
perfeitamente aos nossos deveres, se tivéssemos usado todas as receitas de obediência e otimismo que fornecemos aos outros. Aconselhar é sempre útil, mas  aconselhar excessivamente pode traduzir esquecimentos de nossas obrigações. Assim digo, porque meu caso, a bem dizer, é muito semelhante ao seu. Fomos ao círculo carnal para construir com Jesus, mas caímos na tolice de acreditar que andávamos pela Terra para discutir nossos caprichos. Não executei minha tarefa mediúnica, em virtude da irritação que me dominou, dada a indiferença dos meus familiares pelos serviços espirituais. Nossos instrutores, aqui, muito me recomendaram, antes, que para bem ensinar é necessário exemplificar melhor. Entretanto, por minha desventura, tudo esqueci no trabalho temporário da Terra. Se meu marido fazia ponderações,eu criava refutações. Não suportava qualquer parecer contrário ao meu ponto de vista, em matéria de crença, incapaz de perceber a vaidade e a tolice dos meus gestos. Das irreflexões nasceu minha perda última, na qual agravei,  de muito, as responsabilidades.
Quase mensalmente, Joaquim e eu nos empenhávamos em discussões e não trocávamos apenas os insultos contundentes, mas também os fluidos venenosos, segregados por nossa mente rebelde e enfermiça. Entre os conflitos e suas conseqüências, passei o tempo inutilizada para qualquer trabalho de elevação espiritual.
Nesse instante, chamou-me Vicente para apresentar um amigo.
Ao nosso lado, outro grupo de senhoras  conversava animadamente:

– Afinal, Ernestina – indagava uma delas à mais jovem –, qual foi a causa do seu desastre?
– Apenas o medo, minha amiga – explicou-se a interpelada –, tive medo de tudo e de todos. Foi o meu grande mal.
– Mas, como tudo isto impressiona! Você foi muitíssimo preparada. Recordo-me ainda das nossas lições em conjunto. As instrutoras do Esclarecimento confiavam extraordinariamente no seu concurso. Seu aproveitamento era um padrão para nós outras.
– Sim, minha querida Benita, suas reminiscências fazem-me sentir, com mais clareza, a extensão da minha bancarrota pessoal. Entretanto, não devo fugir à realidade. Fui a culpada de tudo. Preparei-me o bastante para resgatar antigos débitos e efetuar edificações novas; contudo, não vigiei como se impunha. O chamamento ao serviço ressoou no tempo próprio, orientando-me o raciocínio a melhores esclarecimentos; nossos instrutores me proporcionavam os mais santos incentivos, mas desconfiei dos homens, dos desencarnados e até de mim mesma. Nos estudiosos do plano físico, enxergava pessoas de má fé; nos irmãos invisíveis, presumia encontrar apenas galhofeiros fantasiados de orientadores e, em mim mesma, receava as tendências nocivas. Muitos amigos tinham-me em conta de virtuosa, pelo rigorismo das minhas exigências; todavia, no fundo, eu não passava de enferma voluntária, carregada de aflições inúteis.
– Foi uma grande infantilidade da sua parte – retrucou a outra –, você olvidou que, na esfera carnal, o maior interesse da alma é a realização de algo útil para o bem de todos, com vistas ao Infinito e à Eternidade. Nesse mister, é indispensável contar com o assédio de todos os elementos contrários. Ironias da ignorância, ataques da insensatez, sugestões inferiores da nossa própria animalidade surgirão, com  certeza, no caminho de todo trabalhador fiel. São circunstâncias lógicas  e fatais do serviço, porque não vamos ao mundo físico para descanso injustificável, mas para lutar pela nossa melhoria, a despeito de todo impedimento fortuito.
– Compreendo, agora – disse a outra –; todavia, o receio das mistificações prejudicou minha bela oportunidade.
– É, minha amiga – tornou a interlocutora –, é tarde para lamentar. Tanto tememos as mistificações, que acabamos por mistificar os serviços do Cristo.
Eu ouvia a palestra, com interesse crescente, mas o companheiro levou-me adiante para novas apresentações.
Atendia a esses agradáveis deveres da sociedade de “Nosso Lar”, mas, para não perder ensejo de instruir-me, continuava atento às conversações em torno.

Alguns cavalheiros mantinham discreta permuta de pareceres.
– Reconheço que fali – dizia um deles em tom grave – e muito já expiei nas regiões inferiores, mas aguardo novos recursos da Providência.
– Faltou-lhe, porém, bastante  orientação para o caminho? – perguntava um companheiro.
– Explico-me – esclareceu o primeiro –, faltou-me o amparo da esposa. Enquanto a tive a  meu lado, verificava-se profundo equilíbrio em minhas  forças psíquicas. A companhia dela, sem que eu pudesse explicar, compensava-me todo gasto de energia mediúnica. Minha noção de balanço estava nas mãos de minha querida Adélia. Esqueci-me, porém, de que o bom servo deve estar preparado para o serviço do Senhor, em qualquer circunstância. Não aprendi a ciência da conformação e nem me resignei a percorrer sozinho as estradas humanas. Quando me senti sem a dedicada companheira, arrebatada pela morte, amedrontei-me, por sentir-me em desequilíbrio e, erradamente, procurei substitui-la, e fui acidentado. Extremamente  ligada a entidades malfazejas, minha segunda mulher, com os seus desvarios, arrastou-me a perversões sexuais de  que nunca me supusera capaz. Voltei, insensivelmente, ao convívio de criaturas perversas e, tendo começado bem, acabei mal. Meus desastres foram enormes; entretanto, embora reconheça minha deficiência, entendo, ainda hoje, que o triunfo, mesmo no futuro, ser-me-á muito difícil sem a companheira bem amada.


Muita luzzzzzzzz

 Luciane Ruis

4 comentários:

  1. Obrigada pelo maravilhoso texto o qual serve de alerta para atender a recomendação de Jesus: "orai e vigiai".
    Sabemos através da doutrina que não basta deixar de fazer o mal,temos que realizar o bem.
    E assim não podemos deixar o orgulho, o queixume ou até mesmo o medo nos imobilizar na prática do dever correto a cumprir no serviço ao Cristo, porque sempre teremos o amparo espiritual necessário, pois Jesus nosso mestre querido e Deus nosso Pai amoroso não deixa ninguém desamparado. Paz e Bem a todos, irmãos queridos.

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  2. Muito obrigado irmã querida, pelas belas e sábias palavras.
    Continue participando.
    Muita paz!

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  3. LEMBREMO-NOS SEMPRE QUE JESUS FOI QUEM MAIS HONROU EM TODA SUA ABENÇOADA TRAJETÓRIA, EM NOSSO ORBE TERRESTRE, A MEDIUNIDADE EM ALICERCES DOUTRINÁRIOS NO SEU MAIS ALTO GRAU DE PUREZA ENTRE OS HOMENS, ENTREGANDO SEU ENSINAMENTOS COMO TESOURO DIVINO À HUMANIDADE PARA QUE, NA MARCHA DO PROGRESSO ESPIRITUAL ALCANCEMOS A SUBLIMAÇÃO JUNTO AO PAI, PORTANTO HONREMOS A DÁDIVA, PRESENTE DIVINO QUE É A MEDIUNIDADE PARA QUE, POSSAMOS ATRAVÉS DELA COM DIGNIDADE EXERÇAMOS A FRATERNIDADE E O AMOR AO PRÓXIMO TENDO CRISTO COMO GUIA E MODELO.
    MUITA PAZ PARA TODOS E FAMÍLIAS

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    Respostas
    1. Irmã querida, muito agradecemos suas preciosas palavras, bem como seu apoio e participação.
      Deus contigo sempre.

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O objetivo do blog é apresentar a mediunidade à luz da Doutrina Espírita.
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